Touché, Priscila Fantin!

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Touché, Priscila Fantin!

Mensagempor rudolf » 01 Fev 2010, 09:27

Após uma pausa estratégica no ano passado, a atriz Priscila Fantin começa 2010 em ritmo acelerado, com novela na Globo, peça em cartaz no Rio e fôlego extra para encarar novos desafios

Do dia 1º de janeiro até esta semana, Priscila Fantin já "perdeu" cerca de 18 quilos da sua bem definida silhueta com 1,70m e 57 quilos. Regime? Promessa? Nada disso, trabalho mesmo. O peso perdido - e devidamente recuperado com uma dieta balanceada - é por conta de sua peça A Marca do Zorro, no Teatro Leblon, no Rio, onde queima perto de 1,5kg toda vez que sobe ao palco. Essa dedicação no trabalho salta aos olhos depois de um ano que Priscila tirou como sabático, entre estudos de francês e de edição de imagens em Paris e nenhum trabalho na tevê.
Na peça, a atriz, nascida no interior de São Paulo e criada em Minas Gerais, faz a personagem Esperança e contracena com o ex-namorado Thierry Figueira, no papel principal. No roteiro, lutas de espada, números de dança flamenca e sequências de ação com saltos aprendidos no Le Parkour, esporte francês que consiste em manobras acrobáticas para superar obstáculos urbanos. E tudo isso de quinta a domingo. Ufa!

Nos demais dias da semana, Priscila tem relaxado de uma forma inusitada: trabalhando mais. Pois é, ela aceitou encarnar Nara na novela Tempos Modernos, recém-estreada na faixa das 19h da Rede Globo, com a condição de não ser o papel principal. "Ser protagonista desgasta muito, é cansativo. É uma pressão muito grande e, agora, estou fazendo a peça."
Em entrevista exclusiva à Gente, ela fala de como foi difícil o começo da carreira, do desgaste físico com a peça e do apetite insaciável depois de cada apresentação; do namoro discreto com o biólogo Miguel de Moraes, da dificuldade em expressar seus sentimentos, de vaidade e da recusa em posar nua. E, apesar do rosto angelical, ela avisa: "De frágil eu não tenho nada."

No começo de 2009 você esteve na França para estudar. Como foi essa experiência? Morou sozinha? Cuidava da casa e tudo?
Paris foi muito bom. Ninguém tinha um pré-conceito quando me via na rua. E quem vinha conversar só queria mesmo um papo. Aluguei um studio para morar sozinha, lavava a louça e levava a roupa suja para uma lavanderia. Gostava de andar pela cidade, cada dia descia por uma rua diferente. Paris é feita em caracóis, o que permite se perder e se encontrar várias vezes. A praça Madeleine, com seus cafés, era meu ponto de referência, mas andava muito pelo Jardim dês Tulleries, perto do Louvre, e no parque de diversões que armam por lá no verão.

E à noite?
Ficava em casa. Dormia tarde porque alugava filmes e fazia anotações sobre figurino, direção, cenografia... era meu programa preferido depois de andar um dia inteiro.

Qual foi a melhor e a pior coisa de Paris?
O melhor são as brasseries, o cheiro dos croissants saindo do forno de manhã, os parques, os museus... O pior foi o frio que fazia. E a vontade de não parar de comer os croissants. (risos)

Qual a expectativa para este ano?
Vai ser um ano de muito trabalho, sacrifício e exaustão, mas eu quero é mais. Não tenho medo disso, acho até que funciono melhor num ritmo mais apertado.

Por que fazer um papel menor na novela Tempos Modernos?
A condição que negociei foi esta. Ser protagonista desgasta muito, é cansativo. Estou há dez anos fazendo protagonista ou antagonista. É uma pressão muito grande e agora, como estou fazendo a peça, tenho outras prioridades na minha vida.

Ser atriz é sua paixão, mas essa profissão cobra seu preço. Qual foi o seu?
No início da minha carreira, a mudança de Estado foi meu primeiro desafio, sem dúvida. Sair de Belo Horizonte, de perto da família e dos amigos foi triste demais. Depois, não estava acostumada à exposição na mídia, era muito jovem, mas aos poucos fui me adaptando. Mas amo o que faço! Sem contar que é muito gostoso receber o carinho dos fãs que encontro nas ruas, que comentam sobre nossos personagens... é muito gratificante para um ator esse contato direto com o público. Ele é o nosso melhor crítico.

Você faz terapia há nove meses. No que ela a ajudou?
Sou muito calma, mas estou sempre em ebulição dentro de mim, o que é cansativo. Minha cabeça está sempre produzindo muito. Então, sou prática, resolvo as coisas muito rápido. É aquela velha parábola da tartaruga e da lebre: as duas chegam no mesmo lugar, o negócio é como elas chegam. E estou tentando ser a tartaruga, porque ela vai chegar com mais sabedoria.

A peça A Marca do Zorro tem exigido muito de você fisicamente. O que faz para repor o peso perdido?
Minha alimentação sempre foi natural, fui habituada a não comer carne, fritura, só coisas integrais e cereais. Mas, agora, saio do teatro faminta! O mais importante é repor os sais minerais. Almoço um prato colorido com proteínas, carboidrato e vegetais. Lancho um suco ou açaí antes da apresentação e, depois dela, janto qualquer coisa! (risos)

A coisa é puxada assim?
Foram quatro meses de "treinamento", quase sempre de madrugada. Agora, passamos as lutas e a dança antes de abrir a cortina para a plateia e, em seguida, duas horas de exercício sem parar.

Mas você tem condicionamento físico de atleta...
Isso é mais genético, meu pai tem essa constituição óssea mais larga. E faço esporte desde criança, como hipismo e ginástica olímpica. Musculação não gosto porque me hipertrofia, prefiro esportes ao ar livre. E tem os esportes radicais também como a asa delta, rapel, escalada... sou um pouco viciada em adrenalina.

Por que topou fazer a peça?
Tem o desafio físico, de aguentar duas horas de espetáculo correndo pra lá e pra cá e dar o texto sem ficar ofegante. E pelo Pedro Vasconcellos (diretor). Já fiz alguns trabalhos com ele e gostei muito. Ele fez Os Três Mosqueteiros, Dona Flor... E o Thierry fez Os Três Mosqueteiros, sabe tudo de esgrima. A nossa peça, aliás, tem três lutas acontecendo ao mesmo tempo e eu luto também. De frágil eu não tenho nada. (risos)

Trabalhar com um ex na peça ajuda ou atrapalha?
Quando soube que ele (Thierry) ia fazer o papel do Zorro foi a maior alegria. Sabia que a gente não ia perder tempo se entrosando. E isso foi produtivo desde o início, porque até hoje se um não acha uma coisa legal logo fala para o outro.

Seu namorado não sente ciúmes?
Não. Sempre vou ter um par romântico em meus trabalhos. Ele jamais criaria caso com a minha profissão, como eu jamais poderia interferir na dele.

Ele é biólogo. Qual a vantagem de namorar alguém de fora do meio artístico?
Muda um pouco a conversa. Saio um pouco desse universo da atuação e volto mais para o chão, para a terra. E, como ele é biólogo está sempre na terra (risos). Fora que meu pai é engenheiro florestal e, desde pequena, queria saber o nome das árvores, das flores. O Miguel é uma continuação disso. E eu adoro fazer trilha, saber o sexo das plantas...

Você é romântica?
Sou mais realista e racional. Meu romantismo é mais sobre como vejo a vida. O mundo pode estar de cabeça para baixo, que sempre vou encontrar coisas boas. Mas eu sou mais pé no chão e, como tenho esse lado apaixonado pela vida, estou me exercitando para trazer isso para as pessoas com quem eu convivo. Sempre tive dificuldade de expressar meus sentimentos. Por isso sou tão reservada. As pessoas não entendem.

É muito vaidosa?
Aprendi a ser vaidosa. Não era. Era mais moleque. Mas sempre passo creme com protetor solar no rosto, porque tenho manchinhas de sol. E uso sempre um xampu e um condicionador diferentes. Não gosto muito de lavar os cabelos todos os dias. Às vezes, só hidrato.

Você se considera uma mulher sensual?
Acho que é justamente essa praticidade que tenho, esse amor pelos esportes radicais, essa não frescura, junto com um rosto mais angelical, mais meigo. Isso é o que faz a diferença e chama a atenção em mim. Não sei, acho que tem um charme. Mas é muito por escutar as pessoas falando que cheguei a essa conclusão.

Mas tem dias que você acorda brigando com o espelho?
Claro. Na verdade, não acordo me olhando para o espelho. O negócio é bom humor e mau-humor. Se eu estiver mal-humorada, estou feia. Do contrário, estou bem.

Você não posaria nua?
Olha... sou convidada desde que tinha 17 anos. Queriam me emancipar para posar para a Playboy. Mas não condiz muito com o que eu gosto e acho importante passar isso para as pessoas. Acho mais legal passar uma ideia de bem-estar, saúde, qualidade de pensamento, de vida. De várias outras coisas, do que de uma boa plástica, uma boa estética.
Anexos
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