Entrevista: Priscila Fantin fala da peça"A Marca do Zorro":
Bia Amorim, iG Rio de Janeiro
Priscila Fantin: “Tudo está no seu devido lugar. As coisas não acontecem por acaso e é assim que eu sigo a vidaâ€
Como recebeu o convite para fazer a peça?
Priscila Fantin - Quando terminei a novela "Sete Pecados", há dois anos, o Pedro Vasconcellos me falou do sonho que ele tinha de fazer esse projeto, que já durava nove anos. Aceitei na hora, mas não sabia quando iam começar os ensaios. Fui para Paris estudar e na volta dessa temporada tudo começou. Acreditei na peça como produto e posso dizer que ela só ficou pronta depois da estreia, porque é quando a gente sente o calor do público. Enquanto isso, trabalhamos com ansiedade, emoção e expectativa.
Qual a sua grande dificuldade nessa montagem?
Priscila - Por incrÃvel que pareça é dançar flamenco. Desde nova eu faço muito esporte e meu corpo está totalmente condicionado para a prática esportiva. Flamenco é uma dança forte, vigorosa, mas que também te exige movimentos sutis. Tenho que ter atenção dobrada, porque meu corpo pede por ação. Para mim é mais fácil lutar espada, que encarar a feminilidade e a altivez que o flamenco exige. Um equilÃbrio entre sensualidade e valentia. E a minha personagem em “Tempos Modernos†dança também, acredita? Estou tendo aulas com Jayme Arôxa.
Como foi a fase de ensaios?
Priscila - Os três primeiros meses foram de preparação fÃsica e resistência. Emagreci bastante. O resultado do meu corpo hoje é fruto do que tive que fazer para entrar em cena. Na esgrima, por exemplo, trabalham-se pernas, braços e postura. O ritmo foi puxado, dormi pouco e ainda tive que entrar no esquema da novela. No começo fiquei doente, com baixa imunidade, tomei antibiótico. Mas adoro esses desafios que a minha profissão me exige.
O que você aprendeu com a peça que trouxe para a vida?
Priscila - Que nem tudo é tão pesado assim. Quando começamos a ensaiar, a peça não estava pronta. Minha personagem tinha uma carga dramática muito forte, mas as coisas foram mudando, encontrei um rumo mais leve ao longo do processo. Pude transpor essa visão para a vida. Os problemas somos nós mesmos que criamos. A vida pode ser levada de forma mais leve.
Você ficou nervosa em estrear a peça e a novela “Tempos Modernos†praticamente juntas?
Priscila - É a primeira vez que levo dois trabalhos assim paralelamente. Pedi um personagem menor na novela para poder conciliar com a peça. O engraçado é que pela primeira vez não fiquei com frio na barriga. Deixei toda a minha ansiedade em cima do tablado.
Que análise você faz da sua carreira até aqui?
Priscila - Na vida a gente não para de aprender, as lições acrescentam e nos fazem crescer. Nada é tão pesado, mas também não é tão fácil. O sofrimento é proporcional ao crescimento. Comecei a minha carreira aos 16 anos e tive momentos de sofrimento, amadurecimento, questões que precisei superar. Comecei a fazer análise. É preciso ter noção de que não se sabe de tudo. Nunca vou me sentir confortável sabendo o tanto que ainda posso crescer.
E como fica a vida pessoal nesse processo?
Priscila - Durante muito tempo deixei o trabalho tomar conta, ser prioridade na minha vida. Então percebi que ele deve ocupar o seu próprio lugar de importância e não o centro da minha existência. Nessa lutar por ocupar a minha vida com tarefas que estivessem fora da esfera de trabalho, comprei um cachorro e um passarinho. Eles dependem de mim para ter alimento, abrigo, limpeza.
Como é a Priscila dona de casa?
Priscila - Ser dona de casa ajuda a lembrar que existe uma vida pessoal que precisa ser administrada, que tenho outras demandas fora do trabalho. Moro sozinha desde os 21 anos. Aprendi cedo a ter que pagar as contas, a lidar com empregada, ver os problemas do carro, IPTU. Isso me traz para o chão e me coloca a par da realidade.
E com tantas demandas dá tempo de namorar?
Priscila - Apesar de tantos afazeres dá tempo sim de namorar. Essa é uma daquelas questões que fazem parte da necessidade pessoal que deve ser priorizada. Ainda bem que ele (o biólogo Miguel de Moraes) mora aqui no Rio também, o que facilita muito a vida.
Há quanto tempo vocês estão juntos?
Priscila - Há sete meses e descobri nele um supercompanheiro, que me dá muito apoio na vida e na profissão. Estou feliz. A gente tem que saber que não somos uma metade atrás de outra metade. Somos seres completos que buscam outros seres da mesma forma para somar à nossa vida.
Vai dar casamento?
Priscila - Por enquanto não falamos em dar um passo mais sério na relação. Costumo dizer que tudo está no seu devido lugar. As coisas não acontecem por acaso e é assim que eu sigo a vida.



